
eISSN: 1989-9742 © SIPS.
DOI: https://doi.org/10.7179/PSRI_2025.48.07
http://recyt.fecyt.es/index.php/PSRI/
José Luis GONÇALVES*
http://orcid.org/0000-0002-4353-9343
Tânia NEVES**
https://orcid.org/0009-0006-3369-2578
Patrícia ANTUNES**
https://orcid.org/0009-0009-9627-7592
*Escola Superior de Educação Paula Frassinetti e **Instituto Padre António Vieira
Fecha de recepción: 15.VIII.2025
Fecha de revisión: 21.IX.2025
Fecha de aceptación: 10.XI.2025
CONTACTO CON LOS AUTORES
José Luis Gonçalves: E-mail: jlg@esepf.pt
|
PALAVRAS-CHAVE: Jovens acolhidos; competências socioemocionais; educação não-formal; análise de impacto; Academia de Líderes Ubuntu. |
RESUMO: Este artigo apresenta o resultado da avaliação do programa de intervenção socioeducativa denominado “Academia de Líderes Ubuntu – Casas de Acolhimento”, uma experiência imersiva residencial de uma semana, que aconteceu vinte e quatro vezes, com grupos distintos e foi realizada ao longo de quatro anos (de 2021 a 2024), com a participação de 477 jovens de Casas de Acolhimento e 167 profissionais de 74 instituições de várias regiões de Portugal. Este programa visou capacitar, através do método Ubuntu, crianças e jovens acolhidos no sistema de proteção, tendo em vista o desenvolvimento das suas competências socioemocionais. Através de uma investigação mista com dados quantitativos e qualitativos, este estudo descritivo-exploratório permitiu avaliar a satisfação e o impacto desta Semana Ubuntu nos jovens, bem como sistematizar as perceções dos técnicos e dirigentes no que diz respeito a mudanças observadas nestes jovens após esta experiência. Os resultados apontam para uma eficácia, na apropriação dos jovens, de um conjunto das competências socioemocionais trabalhadas, impacto igualmente confirmado pelos profissionais, que relataram que foi uma experiência transformadora para os jovens, notada através de uma maior consciência de si, na construção de relações interpessoais mais empáticas e numa maior participação cívica. |
|
KEYWORDS: Young people in residential care; socio-emotional skills; non-formal education; impact analysis; Ubuntu Leaders Academy. |
ABSTRACT: This article presents the results of the evaluation of the socio-educational intervention programme “Ubuntu Leaders Academy – Residential Care Homes”, an immersive one-week residential experience implemented twenty-four times with different groups over a four-year period (2021-2024). The programme involved 477 young people in residential care and 167 professionals from 74 institutions across different regions of Portugal. Its aim was to empower children and young people in the child protection system through the Ubuntu methodology, fostering the development of socio-emotional competences. Using a mixed-methods approach combining quantitative and qualitative data, this descriptive and exploratory study assessed participants’ satisfaction and the perceived impact of the Ubuntu Week, while also analysing professionals’ and managers’ perceptions of the changes observed in the young people after the experience. The results indicate a significant improvement in the acquisition of socio-emotional competences, an impact also confirmed by the professionals, who described the experience as transformative–reflected in greater self-awareness, more empathetic interpersonal relationships, and stronger civic engagement. |
|
PALABRAS CLAVE: Jóvenes en acogida; competencias socioemocionales; educación no formal; análisis de impacto; Academia de Líderes Ubuntu. |
RESUMEN: Este artículo presenta los resultados de la evaluación del programa de intervención socioeducativa “Academia de Líderes Ubuntu – Hogares de Acogida”, una experiencia residencial inmersiva de una semana, realizada veinticuatro veces con distintos grupos a lo largo de cuatro años (2021-2024), con la participación de 477 jóvenes en acogida y 167 profesionales de 74 instituciones de diversas regiones de Portugal. El programa tuvo como objetivo fortalecer, mediante el método Ubuntu, las competencias socioemocionales de los niños y jóvenes acogidos en el sistema de protección. A través de una investigación mixta, con datos cuantitativos y cualitativos, este estudio descriptivo-exploratorio evaluó la satisfacción y el impacto de la Semana Ubuntu en los jóvenes, así como las percepciones de los profesionales y responsables sobre los cambios observados tras la experiencia. Los resultados evidencian una apropiación significativa de las competencias socioemocionales trabajadas, un impacto igualmente confirmado por los profesionales, quienes describen la experiencia como transformadora, reflejada en una mayor conciencia de sí mismos, en relaciones interpersonales más empáticas y en una participación cívica más activa. |
A Pedagogia Social, como ciência prática ou como prática científica, em que as noções de pessoa, sociedade e educação constituem esteios do pensamento social-pedagógico, produz um saber profissional próprio e uma perspetiva de intervenção diferenciada. O objeto da sua intervenção é a própria relação educativa enquanto promotora de projetos de vida pessoais e de laços sociocomunitários significativos, na ótica da cidadania. Em termos internacionais, esta perspetiva de intervenção tem vindo, ao longo dos anos, a apresentar resultados significativos em contexto de jovens institucionalizados (Bengtsson et al., 2008; McDermid et al., 2022), considerando-se a pessoa na sua inteireza (Connelly & Milligan, 2012, p. 98-99).
Em Portugal, a Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo (Lei n.º 147/99, de 1 de setembro – LPCJP e sucessivas atualizações) estabelece as medidas de promoção dos direitos e proteção das crianças e jovens em situação de perigo e risco, dando, sempre que possível, primazia ao contexto familiar e considerando o acolhimento residencial uma medida excecional (Mourão Sacur et al., 2024). No entanto, e de acordo com o relatório CASA 2023 (Instituto da Segurança Social [ISS], 2024), cerca de 6 446 crianças e jovens viviam em acolhimento em Portugal, dos quais quase 84 % em acolhimento institucional e apenas 4 % em acolhimento familiar. Estes dados revelam que, apesar da prioridade legal atribuída ao acolhimento familiar, a institucionalização continua a ser a resposta predominante do sistema. A maioria (87 %) destas crianças e jovens tem 12 ou mais anos e, destes, 31 % permanece institucionalizada por quatro ou mais anos (Barbosa-Ducharne, 2024).
A literatura comprova que a institucionalização prolongada pode comprometer o bem-estar psicológico, a autoestima e a satisfação de vida dos jovens (Simão et al., 2025; Soriano-Díaz et al., 2023; Carvalho, C. & Lima, F., 2022), evidenciando a necessidade da existência de programas de desenvolvimento socioemocional que mitiguem estes impactos (Diogo et al., 2022). Barbosa-Ducharne (2024) sublinha ainda que a maioria das respostas residenciais portuguesas são de carácter generalista, pouco ajustadas às necessidades específicas das crianças e jovens visados. Assim, a intervenção socioeducativa em contexto de acolhimento institucional deve ser complementada com programas que promovam competências pessoais, sociais e cívicas, reforçando a autonomia e a inclusão comunitária (Mourão Sacur et al., 2024).
A crescente valorização das competências socioemocionais (social-emotional learning – SEL, na sigla inglesa) decorre do reconhecimento de que a autoconsciência, a autorregulação, a empatia e a resiliência são fundamentais ao desenvolvimento integral, ajustamento psicológico e participação cívica dos jovens (Durlak et al., 2011; Brackett & Katulak, 2007). Essas competências estão particularmente em risco em contextos de acolhimento institucional, onde a exposição prolongada à institucionalização – especialmente se e quando acontecem sem mediação socioemocional – pode afetar o bem-estar emocional e a autoestima dos visados (Diogo et al., 2022; Barbosa-Ducharne, 2024).
Estudos evidenciam que programas de educação de natureza não formal, perspetivados enquanto intervenção socioeducativa, revelam-se úteis na promoção de competências socioemocionais, mostrando-se particularmente eficazes com grupos em risco ou em contextos de exclusão social (Diogo et al., 2022), propiciando experiências participadas, relacionais e centradas no indivíduo, potenciando, assim, mudanças significativas nas competências pessoais e sociais (Cameron et al., 2024). Intervenções não formais orientadas para o desenvolvimento socioemocional reforçam a empatia, a autorregulação emocional e a cooperação (Newman & Dusenbury, 2015). É neste quadro que a Academia de Líderes Ubuntu (ALU), com o método Ubuntu, se destaca, ao incorporar práticas pedagógicas não formais centradas no cuidado, na justiça relacional e na aprendizagem colaborativa (Instituto Padre António Vieira, 2022; Rebola et al., 2023).
Criada pelo Instituto Padre António Vieira (IPAV), a ALU surgiu, em 2010, inicialmente dirigida a jovens migrantes, tendo sido alargada a públicos diversos em contextos desafiantes (Neves, 2019). Os trabalhos de experimentação, de aperfeiçoamento e de consolidação permitiram formalizar o método Ubuntu (Marques, 2020) e estruturar o seu modelo e os conteúdos pedagógicos para os cinco dias da Semana Ubuntu. O sucesso da abordagem é evidenciado na sua integração como política pública nacional em mais de 550 escolas portuguesas através do Plano 21|23 Escola+. Atualmente, o programa tem sido implementado, testado e validado em diferentes contextos com diversos públicos-alvo em Portugal em mais de 30 países (Neves, 2019).
De forma breve, o método Ubuntu inspira-se na filosofia africana Ubuntu, cuja essência – “eu sou porque tu és” – expressa a interdependência humana (Eze, 2013; Hapanyengwi-Chemhuru & Makuvaza, 2014). Oriunda da África Austral, mas universalizável, esta filosofia de vida e de ética social é construída a partir da interpretação do conceito Ubuntu, o que permite, na perspetiva de John Volmink, entender que ela pode “abraça[r] a humanidade como um coletivo de indivíduos que são apenas humanos porque coexistem dentro da comunidade global de outros seres humanos. Esta visão do mundo está incorporada na palavra ‘Ubuntu’” (2019, p. 47-48).
É a partir da ideia de tornar-se pessoa através de outras pessoas que o método Ubuntu estrutura o desenvolvimento de cinco competências socioemocionais essenciais: autoconhecimento, autoconfiança, resiliência, empatia e serviço (Neves, 2019; Volmink, 2019; Marques, 2020). Estas interagem entre si num processo de desenvolvimento integral e que se sustentam e materializam em três eixos transversais – liderança servidora, ética do cuidado e construção de pontes (Marques, 2020; Instituto Padre António Vieira, 2022). Para o desenvolvimento destas dimensões, o método Ubuntu implementa-se através de uma abordagem experiencial e participativa, baseada em recursos lúdico-pedagógicos e em dinâmicas que reforçam a construção de vínculos e a ética do cuidado (Rebola et al., 2023).
A implementação da ALU – Casas de Acolhimento, apoiado pelo Instituto de Segurança Social do governo português, constitui uma modalidade de concretização do método Ubuntu em contextos de acolhimento. A Semana Ubuntu, experiência imersiva e residencial de cinco dias, promove a convivência e aprendizagem partilhada entre jovens1 acolhidos e técnicos, criando um ambiente seguro de confiança e escuta ativa. Esta vivência trabalha competências emocionais e relacionais, frequentemente fragilizadas em jovens institucionalizados, reforçando a autoestima, a resiliência e a empatia (Neves, 2019; Ubuntu Leaders Academy, 2024).
Estudos comparativos indicam que outros programas de SEL, como o COMPUSEL (Coelho et al., 2023) ou o Sentir@Ser, baseado em mindfulness (Jesus et al., 2024), apresentam resultados significativos no desenvolvimento socioemocional em contexto escolar. O método Ubuntu distingue-se pela abordagem intensiva, experiencial-relacional e focada na liderança ética e no serviço comunitário, revelando-se particularmente eficaz para jovens em acolhimento, permitindo-lhes experienciar sentido de pertença e de conexão empática. A avaliação de impacto da ALU tem revelado ganhos significativos nas competências socioemocionais dos jovens participantes, a partir de relatórios internos e estudos com educadores2, que indicam melhorias na autoconfiança, resiliência e empatia, associadas a uma maior consciência de si e ao fortalecimento das relações interpessoais (Instituto Padre António Vieira, 2022; Rebola et al., 2023). Um estudo mais recente, com recurso a ensaio clínico em contexto de Semana Ubuntu (Prata et al., 2025) constata que uma atividade de ligação em grupo – a Wool Web Task – aumenta os níveis de ocitocina – hormona associada à ligação humana e à empatia –, estabelecendo uma correlação entre o aumento da ocitocina e o da empatia, mostrando uma reação ao cuidado, escuta e vínculo. Estas conclusões alinham-se com a evidência internacional que associa programas de SEL a melhores resultados académicos, menor risco comportamental e maior compromisso social (Durlak et al., 2011; OECD, 2021).
A ALU – Casas de Acolhimento, promovida desde 2021 pelo IPAV, em parceria com o Instituto da Segurança Social, I.P., constitui, portanto, uma experiência imersiva de cinco dias de capacitação que reúne jovens e profissionais de diferentes regiões do país. Com este artigo, pretende-se apresentar os resultados de uma análise de perceções de impacto e de satisfação relativas à Semana Ubuntu, recolhidas junto de 477 jovens e 167 técnicos e dirigentes, ao longo das quatro edições realizadas entre 2021 e 2024. Procurou-se compreender em que medida esta experiência contribuiu para o reforço das competências socioemocionais dos jovens participantes e quais as mudanças observadas pelos profissionais após a sua participação. Assim, duas perguntas de partida orientaram a investigação: (i) Quais são as perceções de impacto e de satisfação de jovens acolhidos após a participação na Semana Ubuntu? e (ii) Quais são as perceções dos profissionais no que diz respeito ao impacto da Semana Ubuntu nos jovens após a sua participação?
Este estudo segue uma abordagem mista com recurso ao método quantitativo descritivo, complementada por elementos de análise qualitativa. A recolha de dados foi realizada ao longo de quatro edições consecutivas do programa, entre 2021 e 2024, o que permitiu analisar a evolução e a consistência dos resultados em diferentes grupos e contextos. A opção por um estudo descritivo prende-se com a necessidade de caracterizar e interpretar as mudanças percecionadas pelos participantes sem recorrer, nesta fase, a técnicas experimentais ou à existência de grupo de controlo, valorizando a recolha de dados diretamente no terreno.
A constituição da amostra teve por base quatro critérios de seleção, isto é, antes da Semana Ubuntu, a equipa de educadores selecionou os participantes que 1) aderissem voluntariamente ao projeto; 2) tivessem idades compreendidas entre os 13 e 25 anos de idade; 3) tivessem um educador de referência na equipa em processo de formação e, 4) manifestassem disponibilidade para beneficiar de um projeto de promoção de competências socioemocionais envolvendo reflexão e partilha de histórias de vida.
A amostra do estudo é composta por 477 jovens utentes de casas de acolhimento de diferentes regiões de Portugal continental, com idades compreendidas entre 12 e 18 anos, e por 167 técnicos e dirigentes de 74 instituições, sendo que as do Centro (N = 35) e do Norte (N = 20) apresentavam uma maior expressão, conforme Figura 1:

Figura 1. Número de instituições (casas de acolhimento) que participaram entre 2021 e 2024na Academia de Líderes Ubuntu – Casas de Acolhimento por NUTS II
A seleção dos participantes decorreu de forma intencional, envolvendo todos os jovens e profissionais presentes nas Semanas Ubuntu. A amostra abrange uma diversidade significativa de perfis institucionais (casas de acolhimento generalistas e especializadas) e regiões, assegurando uma representação geográfica alargada, conforme Tabela 1:
|
Tabela 1. Número de participantes, instituições e semanas Ubuntu por edição do programa da ALU – Casas de Acolhimento |
||||
|
Edição |
Número de jovens |
Número de profissionais |
Número de instituições envolvidas |
Número de Semanas Ubuntu |
|
1.ª |
35 |
16 |
2 |
2 |
|
2.ª |
79 |
30 |
5 |
5 |
|
3.ª |
203 |
64 |
9 |
9 |
|
4.ª |
160 |
57 |
8 |
8 |
|
Fonte: elaboração própria |
||||
A recolha de dados baseou-se em dois conjuntos complementares de instrumentos e fontes de informação:
1. Questionários de avaliação de satisfação e de impacto aplicado aos jovens
a. A avaliação de satisfação dos participantes (Anexo A) foi aplicada em todas as Semanas Ubuntu, a partir de onde se geraram indicadores quantitativos de satisfação e, ainda, informação qualitativa. O questionário é composto por nove itens em que os participantes avaliam, numa escala tipo Likert, que variava entre “1 = muito negativo” a “10 = muito positivo”, o seu grau de satisfação relativamente à organização, espaço, filmes e reflexões, dinâmicas desenvolvidas, apresentações, testemunhos Ubuntu, avaliação global, utilidade da formação Ubuntu para a vida pessoal e clareza dos objetivos e conteúdos. O questionário inclui três perguntas de resposta aberta (“Quais são as principais aprendizagens que retiras desta semana de formação no âmbito da Academia de Líderes Ubuntu?”, “Escolhe uma palavra que descreva o significado desta formação para ti”. e “Comentários e/ou sugestões”). O preenchimento do questionário é anónimo e realizado via digital (online).
b. A avaliação de impacto dos participantes (Anexo B) procura identificar que transformações se evidenciaram nos participantes após a participação neste processo. Para isso, foi aplicado um outro questionário com um conjunto de 11 questões (que se multiplicam em 22 itens por ter uma questão relacionada com a perceção antes da participação e uma questão após a mesma) organizadas em quatro categorias – cinco pilares Ubuntu, eu e o Ubuntu, liderança pelo exemplo e esperança. Para responder ao questionário, cada jovem foi convidado a avaliar o seu grau de concordância relativamente às afirmações que o compõem através de uma escala tipo Likert, que variava entre “1 = total desacordo” a “10 = total acordo”. O conjunto dos itens permite avaliar a evolução dos jovens a partir da sua experiência relativamente ao desenvolvimento das suas competências, particularmente, estabelecendo uma análise diferencial entre o momento inicial e o momento final do processo. O preenchimento do questionário é anónimo e realizado via digital (online).
2. Esquema de avaliação aplicada aos técnicos e dirigentes
a) As perceções dos profissionais foram recolhidas através de uma estrutura de avaliação, dinamizado numa plataforma Padlet, onde partilham observações, comentários e reflexões sobre a experiência da Semana Ubuntu, com foco no processo prévio de preparação, e ideias durante a Semana a propósito do seu papel e dos conteúdos pedagógicos. Foi questionado o impacto da experiência, através das seguintes questões: “Que impactos senti em mim? E nos jovens?” e “Pós Semana Ubuntu: Como senti os jovens depois da Semana Ubuntu?”. O preenchimento foi realizado em equipa de profissionais, em salas simultâneas, durante um dos momentos da Sessão Final online, que corresponde a uma das etapas do processo de formação que pretende avaliar a experiência no seu todo.
A combinação destes instrumentos permite obter uma visão integrada, conjugando a autoperceção dos jovens com o olhar externo dos profissionais, resultando numa análise mais robusta do impacto da Semana Ubuntu.
O processo de recolha de dados correspondeu a dois momentos distintos. No final de cada Semana Ubuntu, mais concretamente no último dia, cada jovem foi convidado a preencher os questionários de impacto e de avaliação, aplicados de forma presencial, com carácter voluntário e anónimo, tendo sido explicados os objetivos do estudo e garantida a confidencialidade das respostas. Todos os participantes aceitaram colaborar. No caso dos profissionais, o instrumento de avaliação foi aplicado à posteriori, em formato online, numa sessão de avaliação do programa e preenchido, em conjunto, pela equipa de técnicos que acompanhou as Semanas Ubuntu. Para o seu preenchimento, as equipas foram redirecionadas para salas simultâneas com recurso à plataforma Zoom. O período de recolha de dados abrangeu quatro edições do programa (2021-2024), permitindo uma análise comparativa das perceções antes e após a participação.
No que à análise dos dados recolhidos diz respeito, e a partir da abordagem quantitativa descritiva, complementada por elementos de análise qualitativa, descrevem-se abaixo os dois formatos.
a) Para a análise quantitativa dos dados recolhidos, recorreu-se ao software Statistical Package for the Social Sciences, versão 29.0. Os dados do questionário de impacto e de satisfação foram tratados através de estatística descritiva (frequências, médias e variações percentuais) para cada competência socioemocional e para os indicadores de satisfação. Para medir o impacto percebido, compararam-se os níveis médios de autoperceção pré e pós-Semana (com base em escalas de 1 a 10), permitindo identificar os ganhos reportados pelos participantes.
b) Para a análise qualitativa, a coleta de dados consistiu na agregação das respostas às questões abertas dos questionários aplicados aos jovens e ao esquema de avaliação colaborativo, na plataforma Padlet, dirigido aos técnicos e dirigentes que acompanharam a Semana Ubuntu. Os dados foram organizados e codificados em conteúdos temáticos emergentes, identificando-se nestes padrões/categorias recorrentes nas perceções relatadas por jovens e técnicos, “tornando possível alcançar uma representação do conteúdo” (Bardin, 2009, p. 103). Este procedimento possibilitou enriquecer a interpretação dos dados quantitativos, dando voz às experiências vividas durante a Semana Ubuntu.
A recolha de dados foi realizada no respeito pelos princípios éticos da investigação com crianças e jovens (Alderson & Morrow, 2011), sendo designadamente, (i) assegurado o consentimento informado, obtido junto das instituições de acolhimento e dos técnicos responsáveis; (ii) garantidos o anonimato e a confidencialidade, salvaguardados através da ausência de qualquer dado identificável; (iii) recolhida a adesão voluntária de todos os participantes na medida em que foram informados de que poderiam recusar ou interromper o preenchimento a qualquer momento, sem qualquer prejuízo pessoal.
A partir do questionário de avaliação de impacto aplicado aos jovens, apresenta-se, de seguida, a análise estatística dos resultados obtidos através de questões fechadas organizadas em quatro dimensões – cinco pilares Ubuntu, eu e o Ubuntu, liderança pelo exemplo e esperança. Igualmente, para complementar esta análise, apresentam-se os resultados quantitativos da avaliação de satisfação e uma análise de conteúdo às perguntas abertas, expostas previamente.
Os resultados obtidos3 apontam para uma diferença estatisticamente significativa entre o início e o fim da Semana Ubuntu, para todos os itens. Do conjunto global, destaca-se o item “Conheço a filosofia Ubuntu” com uma diferença de média entre o início e o fim de 5,46 (d = 3,325). O item “Conheço-bem” apresenta uma diferença de média entre o início e fim da Semana Ubuntu de 3,20 (d = 2,676), seguindo-se o item “Vejo as dificuldades como oportunidades de crescimento. Sou resiliente”. com uma diferença de média de 3,04 (d = 2,858). Com base no d de Cohen, podemos concluir que existiu uma melhoria em todos os itens, inferindo-se um efeito significativo. O item que verificou um maior efeito foi o conhecimento sobre a filosofia Ubuntu, seguindo-se, por ordem decrescente, a satisfação com a ALU, a resiliência, o autoconhecimento, a autoconfiança, um futuro com esperança, o testemunho pessoal, serviço, empatia, responsabilidade e, por fim, a pontualidade/assiduidade.
|
Tabela 2. Diferença de Média entre o Início e o Fim para cada item da avaliação de impacto |
|||||
|
Média Início |
Média Fim |
Diferença percentual |
T de amostras emparelhadas |
DP |
|
|
5 Pilares Ubuntu |
|||||
|
Conheço-me bem. |
5,56 |
8,76 |
53% |
-24,785* |
2,676 |
|
Acredito nos meus talentos e qualidades. |
5,75 |
8,52 |
43% |
-21,728* |
2,649 |
|
Vejo as dificuldades como oportunidades de crescimento. Sou resiliente. |
5,59 |
8,63 |
53% |
-22,065* |
2,858 |
|
Consigo colocar-me no lugar dos outros e sentir com eles. Sou empático/a. |
6,87 |
9,07 |
32% |
-18,687* |
2,428 |
|
Tenho vontade de me colocar ao serviço dos outros |
6,27 |
8,75 |
40% |
-20,973* |
2,460 |
|
Eu e o Ubuntu |
|||||
|
Conheço a filosofia Ubuntu |
3,44 |
8,90 |
159% |
-34,105* |
3,325 |
|
Estou satisfeito/a por participar na Academia de Líderes Ubuntu |
6,67 |
9,56 |
41% |
-20,442* |
2,934 |
|
Liderança pelo Exemplo |
|||||
|
Sou responsável e sei assumir compromissos |
6,99 |
8,87 |
25% |
-17,672* |
2,219 |
|
Sou pontual e assíduo/a |
8,19 |
9,25 |
16% |
-10,764* |
2,036 |
|
Dou importância ao testemunho pessoal. |
7,36 |
9,26 |
29% |
-15,857* |
2,491 |
|
Esperança |
|||||
|
Olho para o futuro com esperança. |
6,24 |
8,76 |
39% |
-20,229* |
2,593 |
|
*p < ,001 |
|||||
|
Fonte: elaboração própria |
|||||
Relativamente aos resultados de avaliação de satisfação4, verifica-se que, à exceção do item apresentações (M = 8,91), os restantes atingem médias superiores a 9. A avaliação global da Semana Ubuntu é o item com uma média mais elevada e menor dispersão de respostas (M = 9,42; D = 1,227), seguindo-se os testemunhos Ubuntu (M = 9,35) e a utilidade da formação para a vida pessoal (M = 9,34). Os itens com uma maior dispersão de respostas foram filmes e reflexões (D = 1,643) e apresentações (D = 1,589).
|
Tabela 3. Estatísticas descritivas da avaliação de satisfação dos participantes |
||||
|
Mínimo |
Máximo |
Média |
Desvio Padrão |
|
|
Organização |
2 |
10 |
9,29 |
1,242 |
|
Espaço |
3 |
10 |
9,07 |
1,412 |
|
Filmes e reflexões |
1 |
10 |
9,06 |
1,643 |
|
Dinâmicas e reflexões |
1 |
10 |
9,05 |
1,463 |
|
Apresentações |
2 |
10 |
8,91 |
1,586 |
|
Testemunhos Ubuntu |
3 |
10 |
9,35 |
1,304 |
|
Avaliação Global da Semana |
1 |
10 |
9,42 |
1,227 |
|
Utilidade da formação Ubuntu para a vida pessoal |
1 |
10 |
9,34 |
1,335 |
|
Clareza dos objetivos e dos conteúdos |
3 |
10 |
9,06 |
1,444 |
|
Fonte: elaboração própria |
||||
O questionário de avaliação de satisfação incluía duas perguntas abertas (“Quais são as principais aprendizagens que retiras desta semana de formação no âmbito da Academia de Líderes Ubuntu?” e “Escolhe uma palavra que descreva o significado desta formação para ti”), permitindo assim uma análise de conteúdo às respostas dos jovens através da identificação de padrões e frequências.
Com base na análise à primeira questão, os jovens referem o conhecimento sobre a filosofia Ubuntu – o significado do conceito Ubuntu (9 registos) e os 5 pilares Ubuntu (20 registos).
No que diz respeito ao autoconhecimento, os jovens relatam que a Semana Ubuntu permitiu aprofundar o seu autoconceito (12 registos), “ser uma pessoa melhor” (20 registos), “mais compreensiva” e, ainda, conhecer, gerir (3 registos), desenvolver emoções positivas sobre si (2 registos) e saber comunicar aos outros as suas emoções (1 registo). Ainda neste âmbito, os jovens referem que a Semana permitiu, a um nível comportamental, ganhar um maior autocontrolo (8 registos).
O pilar da autoconfiança é relatado através de uma maior consciência da importância desta competência (13 registos), mas também de um maior ganho de confiança em relação às suas competências e potencialidades (4 registos) (“aprendi a socializar com mais confiança”) e, ainda, através de uma afirmação positiva sobre si e as suas capacidades (2 registos): “Sou importante! Vou conseguir! (…) Vou provar que sou capaz!”.
A resiliência surge nos relatos dos jovens através de um maior ganho desta competência (3 registos) e, indiretamente, através da ideia de que “não devemos desistir” de sonhos e objetivos (14 registos) e da tomada de consciência de que não se vive isolado e que os outros podem ser um apoio no que diz respeito à superação de obstáculos (16 registos) associada à ideia de interdependência e da noção de que os outros à sua volta também têm problemas. Esta surge também na afirmação de que “juntos somos mais fortes” (2 registos). Associado a este pilar, é referida a convicção de que “independentemente dos obstáculos, somos sempre capazes de alcançar os nossos objetivos” (3 registos) e que é importante “saber pedir ajuda” (2 registos). Num dos relatos, a superação de obstáculos é considerada um direito, a par de seguir os seus sonhos. O autocontrolo, mencionado antes, além de estar associado ao autoconhecimento, surge também na capacidade de ser resiliente quando é referido que “aprendi a ter mais calma ao resolver um problema (…)” e que existiu uma aprendizagem relativamente à comunicação com o outro perante a resolução de obstáculos.
Numa dimensão relacional, a empatia é mencionada direta (33 registos) e indiretamente, ao referirem que a Semana Ubuntu permitiu aprender a “colocar-me no lugar do outro” (10 registos), “respeito pelo outro” (28 registos), “ajudar os outros” (32 registos), “confiar mais nos outros” (3 registos). Quanto à ajuda aos outros, surgem relatos de que existe uma reciprocidade quando se presta este apoio ao outro (3 registos), que pode ser facilitada por existir uma partilha de situações semelhantes (1 registo) e uma consciência da importância de “estar lá para o outro” (1 registo). O respeito pelo outro é associado à aceitação das diferenças dos outros (6 registos): “Devemos respeitar o espaço do outro e aceitar as suas diferenças”. Este pilar, em termos comportamentais, surge nos relatos com a aprendizagem de “saber elogiar” (2 registos). Um dos relatos traz a ideia de que existe uma interligação a empatia e o autoconhecimento ao referir que “aprendi que só posso ajudar os outros se também estiver bem comigo mesma”. A empatia é refletida através da capacidade de pensar mais no outro (4 registos) e na importância de ouvi-lo e compreendê-lo (8 registos). Surge, ainda, a convicção de que “não devemos rejeitar as pessoas pela aparência” /” não julgar o livro pela capa” (14 registos).
O serviço é mencionado nos relatos dos jovens diretamente, sobretudo ao referirem que aprenderam a ser líder servidor (28 registos) como Nelson Mandela (2 registos) e que todos podem ser líderes (3 registos). De uma forma indireta, os jovens relatam que aprenderam a acolher e estar disponível para os outros (3 registos) e que aumentaram o seu conhecimento sobre a história de líderes servidores (4 registos).
Além dos cinco pilares Ubuntu, surgem também outras competências com alguma expressão nos relatos analisados, nomeadamente a importância do trabalho em equipa (12 registos), da comunicação (7 registos), do saber ouvir (5 registos) e do perdão (1 registo). Os jovens também referem, em termos de aprendizagens, a “união” (10 registos) e a frase “tudo parece impossível até que seja feito” (7 registos). Destaca-se a valorização de “ouvir as histórias dos outros” como uma forma de inspiração e de compreender que o outro tem semelhanças.
À questão “Escolhe uma palavra que descreva o significado desta formação para ti”., os jovens atribuem adjetivos à Semana Ubuntu com destaque para “incrível” (41 registos), “inesquecível” (12 registos) e “especial” (10 registos). De 439 jovens, 7 descrevem a Semana Ubuntu através de uma avaliação qualitativa positiva “adorei”, “achei bom de mais”, “gostei muito”, à exceção de um jovem que refere que a Semana foi uma “seca”. No relato de vinte e oito jovens, é possível encontrar descrições da Semana com base em emoções, tais como afeto, amor, alegria, felicidade, amizade, compaixão, gratidão, esperança, harmonia, mudança, orgulho, realização, respeito, satisfação, união, paz. Destacam-se também alguns relatos que se focam no resultado do processo (19 registos), expressando ganhos ao descreverem esta como uma experiência que permitiu aprender, conhecer, partilhar, conviver, crescer, evoluir e refletir. Por fim, com uma menor expressão, os jovens referem conteúdos da formação, nomeadamente os cinco pilares, como o autoconhecimento (1 registo) e a empatia (2 registos), bem como outras competências trabalhadas, tais como o trabalho em equipa (1 registo) e a ajuda aos outros (2 registos).
|
Tabela 4. Categorias e subcategorias emergentes da análise das respostas à questão “Quais são as principais aprendizagens que retiras desta semana de formação?” |
||||
|
Categorias |
Subcategorias |
Descrição |
n |
Exemplo de respostas |
|
Conhecimento sobre a filosofia Ubuntu |
Significado do conceito Ubuntu |
Compreensão do sentido de interdependência e humanidade partilhada |
9 |
“Esta semana fez me entender a frase: Eu sou porque tu és” “somos todos importantes” “Aprendi que não estamos sozinhos e que temos de ajudar os outros e metermo-nos no lugar dos outros” “que juntos somos mais fortes (…)” “Que ajudar os outros pode ser fácil, que estamos todos em situações similares (…)” |
|
Cinco pilares Ubuntu |
Aprofundamento do conhecimento e aplicação prática relativamente aos cinco pilares Ubuntu (autoconhecimento, autoconfiança, empatia, resiliência e serviço) |
20 |
“Esta formação ensinou-me a aplicar os 5 pilares da filosofia Ubuntu”. |
|
|
Autoconhecimento |
Autoconceito |
Desenvolvimento do autoconceito e construção de uma imagem positiva sobre si |
34 |
“ser uma pessoa melhor” “(…) comecei a ter mais conhecimento sobre mim e comecei finalmente a gostar de mim” |
|
Gestão e expressão emocional |
Identificação, gestão e comunicação adequada das suas emoções |
4 |
“Aprendi a ter mais calma ao resolver um problema, aprendi a ter calma com os outros e a me comunicar melhor com os outros e com o mundo a minha volta para resolver obstáculos e acredito que vou levar isso para a vida toda!” |
|
|
Autocontrolo |
Capacidade de gerir comportamentos |
8 |
“Aprendi a aceitar melhor o não. Quando não me deixavam ir à rua, por exemplo, eu ficava chateado, agora acho que não vou ficar”. “A ser uma melhor pessoa, mudar um pouco como penso e estou a agir” |
|
|
Autoconfiança |
Consciência da importância da autoconfiança |
Reconhecimento da importância de confiar em si |
13 |
“Que devo ter mais confiança” “Ter mais autoconfiança, ser uma líder servidora”. |
|
Desenvolvimento da autoconfiança |
Fortalecimento da confiança nas suas capacidades e potencialidades |
4 |
“(…) aprendi a confiar mais em mim e nos outros (…)” “A ser mais autoconfiante e acreditar mais no meu potencial” “(…) Também aprendi a confiar mais em mim e a me valorizar como mereço, como também aprendi a socializar com mais confiança”. |
|
|
Ganho de confiança e afirmação pessoal |
Aumento da perceção de competência, autoeficácia e valorização pessoal |
2 |
“Sou importante! Vou conseguir! (…) Eu sou o melhor de mim!” |
|
|
Resiliência |
Consciência e ganho da capacidade de resiliência |
Tomada de consciência e desenvolvimento da capacidade de lidar com dificuldades |
17 |
“Aprendi que não devemos desistir dos nossos sonhos”. “Independentemente dos obstáculos somos sempre capazes de alcançar os nossos objetivos” “A ser mais persistente, a ajudar mais os outros e a ouvir melhor mas também a ser mais resiliente” |
|
Interdependência e apoio dos outros |
Reconhecimento do papel dos outros na superação de desafios |
16 |
“Juntos somos mais fortes”. “Se ajudar os outros também posso ser ajudada” “Devemos sempre acreditar e ajudar os outros se queremos também ser ajudados”. “Que devemos ser uns para os outros ajudando o próximo a ultrapassar os seus obstáculos” |
|
|
Pedir ajuda / consciência de limites |
Valorização da colaboração e do apoio mútuo. |
2 |
“Aprendi que podemos pedir ajuda e não guardar tudo para nós entre outros” “Que devemos colocar-nos no lugar do outro, nunca deixar de acreditar nos nossos sonhos, a ser resiliente e a pedir saber pedir ajuda” |
|
|
Empatia |
Colocar-se no lugar do outro |
Capacidade de compreender e respeitar as perspetivas dos outros |
47 |
“Colocar-me sempre no lugar do outro (…)” “Que devemos colocar-nos no lugar do outro (…)” “Aprendi com esta semana que tenho de pensar mais no outro e na sua maneira de agir, e que devo sempre ajudar da melhor maneira e não sabotar o outro ou tentar destruir o que ele tem so porque o meu foi destruído”. |
|
Respeito e aceitação das diferenças |
Valorização da diversidade |
42 |
“Devemos respeitar o espaço do outro e aceitar as suas diferenças” “A respeitar os outros, nunca desistir dos nossos sonhos, ajudar os outros e que nunca podemos julgar os outros sem os conhecer” “(…) colocarmo-nos no lugar do outro aceitar como somos e como os outros são, cada um com dificuldades diferentes” “Aprendi a escutar e a aceitar o próximo” “Ser gentil e tratar todos com respeito”. “Nesta formação retiro que todos nós somos iguais e diferente, cada um tem o seu ritmo e que o respeito mútuo é bastante importante” |
|
|
Ajudar e estar disponível para os outros |
Ética do cuidado em relação ao outro e apoio mútuo |
42 |
“(…) ajudar os outros (…)” “Aprendi a ajudar mais” “Ajudar o próximo” “(…) Aprendi a importância da empatia e de estar lá para o outro. (…)” “(…) aprender como me colocar ao dispor dos outros de forma a não os magoar e sair da minha zona de conforto. Sinto que estou a crescer”. |
|
|
Confiança nos outros |
Desenvolvimento de relações de confiança |
3 |
“A ajudar confiar em nós e nos outros ver o mundo pelos olhos dos outros” “Na minha opinião considero que a maior aprendizagem que tive foi confiar, acreditar mais nas pessoas”. |
|
|
Ouvir e compreender o outro |
Escuta ativa e empatia emocional |
8 |
“Respeitar o outro e saber ouvir” “Precisamos de ouvir o outro e de tentar perceber o outro” “Compreender o problema dos outros e saber respeitar” “Ser empática, compreender melhor o outro, lidar com as diferenças entre outros”. |
|
|
Serviço |
Liderança servidora |
Conhecimento e prática de liderança servidora, incluindo modelos históricos e estratégias aplicáveis no dia a dia |
34 |
“Eu aprendi muito bem e aprendi a ser líder servidor” “Comunicar, respeitar os outros e aprendi muito sobre grandes líderes históricos” “Aprendizagem da historia de Nelson Mandela” |
|
Acolhimento e disponibilidade |
Abertura e apoio aos outros |
3 |
“Saber ser pessoa ubuntu, ou seja, sermos líderes servidores disponíveis a ajudar a sociedade” |
|
|
Potencial de liderança |
Reconhecimento de que a liderança é uma capacidade que pode ser promovida |
3 |
“Todos nós podemos ser líderes” “(…) podemos ser todos líderes servidores” |
|
|
Fonte: elaboração própria |
||||
|
Tabela 5. Frequência por adjetivos atribuídos à Semana Ubuntu |
|
|
Escolhe uma palavra que descreva o significado desta formação para ti |
Frequência |
|
Incrível |
41 |
|
Inesquecível |
12 |
|
Especial |
10 |
|
Maravilhosa |
9 |
|
Emocionante/emocional/emotivo |
9 |
|
Importante |
9 |
|
Fixe/legal |
8 |
|
Transformadora/transformação |
8 |
|
Boa/bom |
6 |
|
Única |
6 |
|
Gratificante |
5 |
|
Fantástico |
5 |
|
Inspiração/inspirador/a |
5 |
|
Divertida |
4 |
|
Desafiante |
4 |
|
Interessante |
4 |
|
Mágica |
4 |
|
Libertador |
4 |
|
Extraordinária |
3 |
|
Inesperável/inesperado |
3 |
|
Inovador/a |
3 |
|
Significativo |
3 |
|
Educacional/educativa |
2 |
|
Enriquecedora |
2 |
|
Significativa |
2 |
|
Espetacular |
2 |
|
Excelente |
2 |
|
Intenso |
2 |
|
Motivacional/motivadora |
2 |
|
Útil |
2 |
|
Necessária |
2 |
|
Determinante |
1 |
|
Encantador |
1 |
|
Impecável |
1 |
|
Impressionante |
1 |
|
Indescritível |
1 |
|
Informativa |
1 |
|
Marcante |
1 |
|
Valiosa |
1 |
|
Fonte: elaboração própria |
|
Para compreender os impactos percebidos da intervenção, foi realizada uma análise de conteúdo às respostas dos profissionais que acompanharam as Semanas Ubuntu, recolhidas através da plataforma Padlet, relativamente às questões antes expostas. A análise seguinte teve em conta 21 Semanas Ubuntu realizadas entre 2021 e 2024.
Os profissionais descrevem o impacto sentido nos jovens como sendo positivo e significativo, relatando que estes conversaram sobre a experiência e questionaram a possibilidade de a repetir. Para descrever este impacto, os técnicos fazem uma ligação de causalidade, ao destacarem o papel e a importância das reflexões realizadas. Isto permite ganhar um novo olhar sobre si, o outro e o mundo, com destaque para a superação de obstáculos em que há um ganho de novas convicções “elas próprias podem construir o futuro que quiserem”, “entenderem que todos temos uma história de vida (…) mas mesmo assim todos merecem o respeito de cada um de nós” e “que não estão sozinhos nesta caminhada!”, “que não estão sós”. Esta visão contribui para um sentimento de pertença, que foi desenvolvido em torno da partilha de histórias de vida: “foi maravilhosa a partilha e contacto com outras casas com realidades e experiências de vida tão ‘iguais’ e tão distintas”. O contacto entre grupos também foi importante para a integração e para o quebrar de “barreiras linguísticas e culturais”.
Um dos aspetos mencionados pelos profissionais foi que o impacto da Semana Ubuntu nos jovens foi notado na dimensão do eu, nomeadamente a capacidade de reconhecerem as suas emoções, entrarem em contacto com as mesmas e permitirem-se serem vulneráveis perante o outro, ao compreenderem o papel reparador desta partilha e o sentimento de libertação emocional como resultado. Ainda nesta dimensão, a Semana Ubuntu foi considerada como um “(re)descobrir [d]o que de melhor há em si e como, também eles, podem ser agentes transformadores da sociedade”.
O impacto nos jovens foi sentido pelos profissionais ainda no decorrer da Semana Ubuntu, sendo referido um crescimento gradual, com alguma resistência inicial, através da dedicação, adesão e entrega às propostas pedagógicas. Um dos aspetos que permitiu esta adesão, segundo os técnicos, foi o fator surpresa que permitiu uma maior disponibilidade por parte dos jovens. Um dos relatos refere que existia uma “vontade de serem desafiados, que olhem para eles”. Os profissionais referem que esta experiência trouxe uma maior abertura por parte dos jovens em diferentes dimensões – uma maior abertura às relações interpessoais, à partilha e para acolher. Os jovens que não aderiram tanto aos desafios, fisicamente, demonstraram, no entanto, um envolvimento emocional ao realizarem um processo interior de autoconhecimento, revelando uma maior capacidade de olhar para si ao reconhecer potencialidades e fraquezas.
Em relação ao impacto após a Semana Ubuntu, foi descrito que os jovens levaram as aprendizagens para a casa, para o seu grupo de pares e até para a sua família, estando mais empáticos, sensíveis e atentos. Em termos relacionais, observou-se uma transformação positiva no que diz respeito às relações entre pares (jovens da mesma casa) e com os educadores que se mantiveram após a experiência, aumentando o sentimento de pertença à casa e de confiança no que diz respeito à relação jovem-técnico através de uma maior “facilidade em partilhar os problemas/preocupações”. Contudo, apesar de se observarem melhorias relacionais, um técnico refere que alguns conceitos “não foram assimilados como seria desejável”, indo ao encontro do seguinte testemunho “a ‘semente’ ficou com cada um deles, compete-nos conseguir fazer com que a mesma germine e frutifique”.
Os resultados obtidos mostram que a Semana Ubuntu promoveu avanços significativos nas competências socioemocionais dos jovens acolhidos e/ou em processo de autonomia. As análises quantitativa e qualitativa revelam ganhos individuais (autoconhecimento, autoconfiança e resiliência) e relacionais (empatia e sentido de pertença), alinhando-se com a literatura internacional que releva os programas SEL (Durlak et al., 2011; Cameron et al., 2024).
A análise quantitativa evidencia maiores ganhos no conhecimento sobre a filosofia Ubuntu, no autoconhecimento e na resiliência. Os relatos dos profissionais e dos jovens corroboram estudos recentes que associam experiências imersivas ao fortalecimento do autoconceito e da regulação emocional (Jesus et al., 2024; Cameron et al., 2024), sugerindo que o método Ubuntu contribui para a autorregulação, competência crucial para enfrentar adversidades em contextos de acolhimento e na adolescência (Barbosa-Ducharne, 2024).
Como mencionado previamente, segundo Barbosa-Ducharne (2024) e Diogo et al. (2022), os jovens institucionalizados enfrentam instabilidades afetivas e experiências de abandono. Neste contexto, os ganhos na competência da resiliência – sustentados pela valorização do apoio social – alinham-se com modelos de resiliência relacional, que destacam, por sua vez, a importância das interações e do suporte social para enfrentar adversidades (Ungar, 2021; Masten, 2018). Nesta linha, assumindo a sua importância em contextos de maior vulnerabilidade emocional, os resultados sugerem ainda que o método Ubuntu pode proporcionar uma experiência fundamental para o desenvolvimento dos jovens, não só em termos da resiliência individual, como também do reforço das conexões sociais.
Além desta primeira dimensão, foi relatado também um aumento relativo às competências relacionais, através da perceção dos jovens e dos profissionais, nomeadamente com referência a mais empatia, confiança e valorização da diversidade, aspectos fundamentais em contextos de vulnerabilidade (Gerdes et al., 2011). Ora, a valorização da diversidade e o respeito pela individualidade sugerem uma apropriação de conceitos e princípios de abordagens pedagógicas baseadas na justiça relacional, relacionando a experiência da Semana Ubuntu com o contributo ao desenvolvimento da empatia e, com isso, ao aumento de relações interpessoais colaborativas e inclusivas entre os jovens (Rebola et al., 2023). Ainda neste âmbito relacional, a dimensão do serviço, associada à liderança servidora (Greenleaf, 1977), reforça a abertura ao outro e a assimilação de valores éticos, promovendo lideranças socialmente responsáveis (Liden et al., 2014).
Os resultados evidenciam o desenvolvimento de outras competências, como a colaboração, a comunicação, a escuta ativa e a prática do perdão. A partilha de histórias pessoais surge como inspiração mútua, promovendo a empatia e os laços sociais, em linha com evidências que destacam o papel das competências socioemocionais no desenvolvimento do bem-estar e da inclusão (Durlak et al., 2011; Masten, 2018).
Em síntese, a Academia de Líderes Ubuntu – Casas de Acolhimento revela-se, assim, uma intervenção socioeducativa inovadora, cujo formato imersivo favorece a confiança e a aprendizagem co construída, conforme apontam estudos sobre educação não formal em contexto de acolhimento (Durlak et al., 2011; Diogo et al., 2022). Além disso, permite um desenvolvimento integral, ao articular competências interdependentes, em consonância com modelos de aprendizagem socioemocional (CASEL, 2003; Cameron et al., 2024). Contudo, subsiste a necessidade de avaliar a apropriação e sustentabilidade destas aprendizagens, por parte dos jovens e a longo prazo, uma vez que a educação socioemocional contínua é fundamental para o alcance de um desenvolvimento integral (Cameron et al., 2024).
No âmbito da Academia de Líderes Ubuntu – Casas de Acolhimento, os relatos que os profissionais fazem dos jovens evidenciam que a Semana Ubuntu favorece processos de descoberta pessoal, potenciados por momentos de reflexão e pelo fator surpresa, que permitiu aos jovens sentirem-se desafiados. Neste sentido, estas duas dimensões, associadas à imersividade e ao carácter residencial e intensivo do programa, permitiram romper as rotinas institucionais e experimentar novas formas de interação. A intencionalidade, estrutura e ritmo do método Ubuntu promoveram um envolvimento gradual, observável mesmo nos jovens mais introvertidos.
Por outro lado, no plano relacional, a experiência em grupo, especialmente com outros pares em situações semelhantes, potencia ganhos individuais e coletivos, despertando sentimentos e emoções positivas face à sua história de vida e à superação de obstáculos, além de reforçar o sentido de pertença. A abordagem experiencial do método Ubuntu, através de histórias inspiradoras, dinâmicas de grupo e momentos de reflexão, promove o desenvolvimento das suas principais competências enunciadas. A combinação de narrativas pessoais e atividades práticas estimula o envolvimento emocional, traduzindo-se em mudanças percecionadas tanto por jovens como por profissionais.
O facto de a experiência ser partilhada entre jovens e técnicos, tanto da mesma instituição como de outras, contribuiu para transformar relações, favorecendo a internalização das competências socioemocionais e a sua generalização para contextos institucionais, familiares e de pares. O trabalho conjunto, numa lógica horizontal de aprendizagem mútua, reforça ainda o sentimento de pertença e a coesão do grupo.
Apesar dos resultados promissores, reconhecem-se limitações metodológicas do estudo, a saber, (i) a ausência de comparação com outras variáveis que possam influenciar os resultados obtidos, como idade, género e medida de promoção e proteção ao abrigo da qual os jovens se encontram no momento da Semana Ubuntu – acolhimento residencial ou processo de autonomia; (ii) o facto de a recolha ter sido realizada no final das Semanas Ubuntu, ficando por apurar a sustentabilidade a longo prazo das mudanças relatadas; (iii) a heterogeneidade das Casas de Acolhimento e o grau de envolvimento prévio dos técnicos podem ter influenciado as perceções; (iv) a dependência de autoavaliações dos jovens e da perceção dos técnicos, sujeitas a enviesamentos relacionados com expectativas ou efeitos momentâneos do contexto imersivo; (v) a inexistência de um grupo de controlo não permite comparar resultados entre jovens que participaram na Academia de Líderes Ubuntu e jovens que não experienciaram em uma Semana Ubuntu; (vi) uma maior diversificação de instrumentos de recolha de dados poderá permitir avaliar se as opiniões que são recolhidas são partilhadas por todos e, consequentemente, saber se proporciona perceções menos positivas; (vii) a opção por uma amostragem intencional limita a generalização dos resultados.
Com base na experiência acumulada, e não obstante as limitações metodológicas apontadas, crê-se que possam ser feitas recomendações, de forma a potenciar a eficácia e escalabilidade do programa. Em primeiro lugar, importa investir numa monitorização longitudinal, através da implementação de instrumentos de acompanhamento a médio e longo prazo, que avaliem a sustentabilidade dos ganhos nas competências socioemocionais e o seu impacto na vida dos jovens após o acolhimento. A este nível, sugere-se um estudo longitudinal que, através de grupos focais e entrevistas aos jovens, tenha como objetivo analisar o impacto após a Semana Ubuntu, tendo grupos de comparação – jovens acolhidos, jovens em processo de autonomia e jovens que já não estão com nenhuma medida de promoção e proteção, considerando ainda variáveis como género e idade. Por fim, este estudo deveria também analisar de que forma a Semana Ubuntu potencia a participação comunitária, nomeadamente em órgãos representativos, como o Conselho Nacional Consultivo de Crianças e Jovens Acolhidos e a Assembleia Nacional de Crianças e Jovens Acolhidos (órgãos criados e desenvolvidos no âmbito do protocolo entre o IPAV e o ISS).
Uma segunda recomendação remete para a inclusão da ALU nas estratégias nacionais de promoção e proteção, assegurando financiamento e apoio técnico contínuo, de forma a permitir a integração desta proposta em políticas públicas.
Em terceiro lugar, destaca-se o investimento na formação contínua de técnicos e dirigentes das Casas de Acolhimento garantindo a replicação e sustentabilidade das competências trabalhadas na Semana Ubuntu. A par desta intenção, entende-se essencial a monitorização a longo prazo, que permitisse avaliar não só o impacto pessoal e profissionais nestes agentes, mas também as mudanças institucionais, ao nível das rotinas, relações e clima/ambiente institucional, incluindo o papel dos Clubes Ubuntu e de outros órgãos de promoção de participação como espaços de continuidade da aprendizagem socioemocional.
Finalmente, recomenda-se uma maior robustez da investigação, através da criação de grupos de controlo e de metodologias mistas (quantitativas e qualitativas) que cruzem perceções com indicadores objetivos de mudança, como indicadores de comportamento escolar ou integração comunitária.
A implementação da Semana Ubuntu revelou-se uma intervenção socioeducativa eficaz na promoção de competências socioemocionais junto de jovens em acolhimento residencial e/ou em processo de autonomia. Os resultados, sustentados por uma análise quantitativa e qualitativa, evidenciam avanços significativos individuais – traduzidos em maior autoconhecimento, resiliência, autorregulação e autoconfiança – e relacionais, através do fortalecimento da empatia, do sentido de pertença e da qualidade das interações. A experiência imersiva proporcionada pela Semana Ubuntu, marcada pela partilha de histórias de vida, convívio em grupo e reflexão guiada, reforçou a capacidade de enfrentar adversidades e de construir relações colaborativas e inclusivas.
Para além das competências individuais, o programa impulsionou o desenvolvimento de valores éticos e sociais, como a liderança servidora, a comunicação, a escuta ativa e o perdão, favorecendo lideranças responsáveis e socialmente conscientes. Estes resultados confirmam o papel essencial da aprendizagem socioemocional na promoção do bem-estar, inclusão social e resiliência, especialmente em contextos de vulnerabilidade.
Em síntese, a Semana Ubuntu constitui um modelo inovador que integra dimensões emocionais, sociais e éticas de forma interdependente, com potencial de replicação noutros contextos. Contudo, importa garantir mecanismos de continuidade que consolidem as aprendizagens no quotidiano institucional e na vida futura dos jovens, garantindo impactos duradouros e sustentáveis.
Agradecemos ao Instituto da Segurança Social, I.P., pela parceria e confiança demonstradas na implementação da Academia de Líderes Ubuntu – Casas de Acolhimento ao longo destes últimos quatro anos.
Estendemos o nosso reconhecimento aos técnicos e dirigentes das Casas de Acolhimento, cuja dedicação e envolvimento foram fundamentais para o sucesso das Semanas Ubuntu.
Um agradecimento especial aos jovens participantes, pela sua abertura, disponibilidade e coragem para se envolverem num processo de transformação, acreditando no potencial do método Ubuntu e nas suas próprias capacidades de liderança e serviço.
Contribuciones (Taxonomía CRediT)
|
Contribuciones |
Autores |
|
Concepción y diseño del trabajo |
Autor 1 y 2, |
|
Búsqueda documental |
Autor 2 |
|
Recogida de datos |
Autor 3 |
|
Análisis e interpretación crítica de datos |
Autor 1, 2 y 3 |
|
Revisión y aprobación de versiones |
Autor 1 y 2 |
La investigación de la que deriva este artículo no contó con fuentes de financiamiento.
Los autores declaran que no existe ningún conflicto de intereses
Referências bibliográficas
Alderson, P. & Morrow, V. (2011). The Ethics of Research with Children and Young People: A Pratical Handbook. Sage. https://doi.org/10.4135/9781446268377
Barbosa Ducharne, M. (2024). A qualidade do acolhimento residencial. Revista do Ministério Público, n.º especial, 39-55.
https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/165520/2/705319.pdf
Bardin, L. (2009). Análise de Conteúdo. Edições 70.
Bengtsson, E., Chamberlain, C., Crimmens, D., & Stanley, J. (2008). Introducing social pedagogy into residential childcare in England. England: National Centre for Excellence in Residential Child Care.
Brackett, M. A., & Katulak, N. A. (2007). Emotional Intelligence in the Classroom: Skill-Based Training for Teachers and Students. In J. Ciarrochi & J. D. Mayer (Eds.), Applying emotional intelligence: A practitioner’s guide (pp. 1-27). Psychology Press.
Cameron, C. E., McClelland, M. M., Grammer, J., & Morrison, F. J. (2024). Self-regulation and academic achievement. In M. A. Bell (Ed.), Child development at the intersection of emotion and cognition (2nd ed., pp. 213-234). American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/0000406-011
Carvalho, C. & Lima, F. (2022). Institucionalização de crianças em Portugal: estudo de caso. Serviço Social em Perspectiva, 6(1), 251-271. https://doi.org/10.46551/rssp.202213
CASEL. (2003). Safe and sound: An educational leader’s guide to evidence-based social and emotional learning (SEL) programs. https://casel.org/safe-and-sound-guide-to-sel-programs/?view=1
Coelho, V., Peixoto, C., Azevedo, H., Machado, F., Soares, M., & Espain, A. (2023). Effects of a Portuguese social–emotional learning program on the competencies of elementary school students. Frontiers in psychology, 14, 1195746.
Connelly, G. & Ian Milligam (2012). Residential Child Care. Series Policy and Practice in Health and Social Care. Edinburgh: Dunedin Academic Press Ltd.
Del Valle, J. F., & Bravo, A. (2013). Current trends, figures and challenges in out-of-home childcare: An international comparative analysis. Psychosocial Intervention, 22(3), 251-257.
Diogo, E., Sacur, B. M., & Guerra, P. (2022). Caminhos para uma reforma do sistema de promoção e proteção das crianças e jovens – Recomendações. Temas Sociais, 3, 31-51. https://doi.org/10.53809/TS_ISS_2022_n.3_31-51
Durlak, J. A., Weissberg, R. P., Dymnicki, A. B., Taylor, R. D., & Schellinger, K. B. (2011). The impact of enhancing students’ social and emotional learning: A meta-analysis of school-based universal interventions. Child Development, 82(1), 405-432. https://doi.org/10.1111/j.1467-8624.2010.01564.x
Eze, M. O. (2013). Intellectual history in contemporary South Africa. Palgrave Macmillan.
Gerdes, K. E., Lietz, C. A., & Segal, E. A. (2011). Measuring empathy in the 21st century: Development of an empathy index rooted in social cognitive neuroscience and social justice. Social Work Research, 35(2), 83-93. https://doi.org/10.1093/swr/35.2.83
Greenleaf, R.K. (1977) Servant Leadership: A Journey into the Nature of Legitimate Power and Greatness. Paulist Press, New York.
Hapanyengwi-Chemhuru, O., & Makuvaza, N. (2014). Ubuntu and education in Zimbabwe: Traditional ways of knowing and cultural heritage. Journal of Indigenous Social Development, 3(1), 44-59.
Instituto da Segurança Social (ISS). (2024). CASA 2023 – Relatório de caracterização anual da situação de acolhimento de crianças e jovens. ISS, I. P.
Instituto Padre António Vieira. (2022). Pilares do método UBUNTU.
Jesus, A., Margarido, C., Torrecilla Sánchez, A., & Pocinho, M. (2024). O papel da educação social na promoção de competências socioemocionais em contexto escolar. Revista Lusófona de Educação, 62, 57-70. https://doi.org/10.24140/issn.1645-7250.rle62.04
Lei n.º 147/99, de 1 de setembro. Diário da República, I Série (204), 6115-6132. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/lei/147-1999-581619
Liden, R. C., Wayne, S. J., Liao, C., & Meuser, J. D. (2014). Servant Leadership and Serving Culture: Influence on Individual and Unit Performance. Academy of Management Journal, 57(5), 1434-1452. https://journals.aom.org/doi/10.5465/amj.2013.0034
Marques, R. (2020). Introdução. In Gonçalves, J. L., & Alarcão, M. (Eds.), Pilares do método UBUNTU (pp. 17-32). Instituto Padre António Vieira.
Masten, A. S. (2018). Resilience theory and research on children and families: Past, present, and promise. Journal of Family Theory & Review, 10(1), 12-31. https://doi.org/10.1111/jftr.12255
McDermid, S., Trivedi, H., Holmes, L., & Boddy, J. (2022). Foster carers’ receptiveness to new innovations and programmes: an example from the introduction of social pedagogy to UK foster care. The British Journal of Social Work, 52(3), 1213-1230.
Mourão Sacur, B., Guerra, P., & Diogo, E. (2024). Proteção de crianças e jovens em Portugal. Temas Sociais, 7, 6-27. https://doi.org/10.60543/ts_iss.vi7.9862
Neves, T. (2019). Building Bridges: Ubuntu Leaders Academy in Portugal and Worldwide. Instituto Padre António Vieira. https://www.academialideresubuntu.org/images/book/IO1_EN_BuldingBridgesUbuntu.pdf
Newman, J., & Dusenbury, L. (2015). Social and emotional learning (SEL): A framework for academic, social, and emotional success. In K. Bosworth (Ed.), Prevention science in school settings: Complex relationships and processes (pp. 287-306). Springer Science + Business Media. https://doi.org/10.1007/978-1-4939-3155-2_14
OECD. (2021). Survey on Social and Emotional Skills (SSES): Sintra (Portugal). OECD Publishing. https://www.oecd.org/content/dam/oecd/en/about/programmes/edu/survey-on-social-and-emotional-skills/site-reports-20218/sses-sintra-report.pdf
Prata, D., Fonseca, S. & Ramos, A. (2025). Psychological and hormonal effects of socio-emotional learning in adolescents: a randomized controlled trial. Humanities and Social Sciences Communications ,12 (1033). https://doi.org/10.1057/s41599-025-04893-x
Rebola, F., Nogueira, I. C., Gouveia, J., Gonçalves, J. L., Carvalho, L. & Fonseca, S. (2023). Academia de Líderes Ubuntu Júnior no 1.º ciclo do ensino básico: Efeitos em educadores e alunos. Ubuntu: Revista de Ciências Sociais, 1, 194-235. http://hdl.handle.net/20.500.11796/3227
Simão, A., Santos, R., Brás, M., & Nunes, C. (2025). Determinants of Psychological Adjustment of Institutionalized Adolescents: A Systematic Review. Child Youth Care Forum, 54, 1483-1534. https://doi.org/10.1007/s10566-025-09859-3
Soriano-Díaz, C., Moreno-Manso, J., García-Baamonde, M., Guerrero-Molina, M., & Cantillo-Cordero, P. (2023). Behavioral and emotional difficulties and personal wellbeing of adolescents in residential care. International Journal of Environmental Research and Public Health, 20(1), 256. https://doi.org/10.3390/ijerph20010256
Ubuntu Leaders Academy. (2024). Building Bridges – Ubuntu and servant leadership. Instituto Padre António Vieira. https://www.academialideresubuntu.org/images/book/IO1_EN_BuldingBridgesUbuntu.pdf
Ungar, M. (Ed.). (2021). Multisystemic resilience: Adaptation and transformation in contexts of change. Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/oso/9780190095888.001.0001
Volmink, J. (2019). Ubuntu: Filosofia de vida e ética social. In Construir Pontes Ubuntu – Para uma Liderança Servidora (pp. 47-68). Instituto Padre António Vieira. https://www.academialideresubuntu.org/images/book/IO1_PT_ConstruirPontesUbuntu.pdf
CÓMO CITAR EL ARTÍCULO
|
Gonçalves, J. L., Neves, T. y Antunes, P. (2026). Academia de Líderes Ubuntu – casas de acolhimento: perceções de impacto e de satisfação de jovens acolhidos e técnicos. Pedagogía Social. Revista Interuniversitaria, 48, 113-131. DOI:10.7179/PSRI_2026.48.07 |
DIRECCIÓN DE LOS AUTORES
|
José Luís Gonçalves. E-mail: jlg@esepf.pt Tània Monteiro Neves. E-mail: tania.neves@ipav.pt Patrícia De Almeida Antunes. E-mail: patricia.antunes@ipav.pt |
PERFIL ACADÉMICO
|
JOSÉ LUÍS GONÇALVES http://orcid.org/0000-0002-4353-9343 Diretor da Escola Superior de Educação Paula Frassinetti, Porto, Portugal, e membro integrado do grupo de investigação Filosofia e Espaço Público, do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. As suas áreas de investigação são a Filosofia da Educação, a Filosofia dos Direitos Humanos e do Espaço Público, bem como a Antropologia e a Ética da Condição Humana na perspetiva da Pedagogia/Educação Social. TÀNIA MONTEIRO NEVES https://orcid.org/0009-0006-3369-2578 Diretora de Conteúdos e Formação do Instituto Padre António Vieira (IPAV) e Coordenadora Executiva da Academia de Líderes Ubuntu. Licenciada em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto e Mestre em História, Relações Internacionais e Cooperação pela Faculdade de Letras da mesma universidade. As suas áreas de investigação incluem a educação, a educação para a cidadania global, as metodologias de capacitação e a liderança, com especial enfoque na aplicação do método Ubuntu em contextos educativos e comunitários. PATRÍCIA DE ALMEIDA ANTUNES https://orcid.org/0009-0009-9627-7592 Psicóloga (membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses), mestre em Psicologia Comunitária, Proteção de Crianças e Jovens em Risco com especialização avançada em Práticas de Educação Socioemocional em Crianças e Adolescentes e gestora de projeto no Instituto Padre António Vieira (IPAV). As suas áreas de investigação incluem a promoção de competências socioemocionais em contextos de educação não-formal. |
1 Consideram-se jovens todos aqueles que participaram nas Semanas Ubuntu, independentemente do género.
2 Consideram-se educadores todos aqueles que experienciaram o percurso formativo da Academia de Líderes Ubuntu, independentemente do género.
3 Para esta análise, consideraram-se 431 respostas válidas.
4 Para esta análise, consideraram-se 439 respostas, sendo que o item clareza dos objetivos e conteúdos foi aplicado a 158 jovens por não estar incluído nas versões iniciais do questionário de avaliação de satisfação.